Identificação
Principais pragas do cultivo indoor
Mosquinhos escuros de 2–3 mm voando ao redor do substrato. Os adultos são o sinal, o dano real é feito pelas larvas brancas de 3–5 mm no substrato, que atacam raízes finas e abrem caminho para Pythium.
- Adultos voando ao mover o vaso ou regar
- Larvas brancas com cabeça preta no substrato (2–3 cm de profundidade)
- Raízes com pontas marrons ou podres
Substrato constantemente úmido. Deixar secar mais entre regas reduz a população sem nenhuma aplicação.
Pontilhado amarelado ou bronzeado na face superior das folhas. Em infestações avançadas, teia fina nas axilas e no ápice. Os ácaros (menos de 0,5 mm) ficam na face inferior das folhas, visíveis com lupa de 10x.
- Face inferior das folhas medianas e inferiores
- Axilas dos ramos em infestações avançadas
- Ápice da planta com teia quando crítico
Temperatura acima de 27°C e umidade baixa aceleram a reprodução drasticamente. Uma geração a cada 5–7 dias nessas condições.
Grupos de insetos moles de 1–3 mm (verdes, amarelos ou escuros) nos brotos e face inferior das folhas jovens. Superfície pegajosa abaixo das colônias (honeydew). Formigas próximas são sinal frequente.
- Ápice e brotos novos, primeiro alvo
- Face inferior das folhas jovens
- Pecíolos dos brotos
Reprodução por partenogênese, sem acasalamento. Uma colônia pode dobrar em 2–3 dias em condições quentes.
Estrias prateadas ou bronzeadas nas folhas, células esvaziadas após a alimentação. Pontos escuros (fezes). Insetos alongados de 1–2 mm, difíceis de ver sem lupa. Podem transmitir vírus vegetais.
- Face superior das folhas, estrias prateadas
- Dobras e nervuras das folhas jovens
- Armadilha adesiva azul (mais eficiente que amarela)
Difícil de eliminar em floração por se esconder entre as brácteas. Controle preventivo no vegetativo é muito mais eficaz do que remediar na floração.
Adultos brancos de 1–2 mm que voam em nuvem ao tocar a planta. Ninfas fixas na face inferior das folhas, translúcidas, difíceis de ver. Honeydew nas folhas abaixo. Pode transmitir vírus.
- Face inferior das folhas, ninfas fixas
- Adultos voam quando a planta é movimentada
- Armadilha adesiva amarela
Entrada frequente via mudas novas não isoladas. Uma semana de quarentena de novas plantas elimina esse vetor.
Microscópico, invisível a olho nu e indistinguível com lupa comum. Os danos surgem antes da identificação: bordas foliares enroladas para cima, caule e folhas com aspecto bronzeado ou enferrujado, textura cerosa. Infestação avançada compromete a produção de resina e pode ser confundida com deficiência nutricional.
- Ápice e brotos novos, primeiros sinais de enrolamento foliar
- Caule com aspecto bronzeado ou opaco
- Confirmação: lupa de 60x ou microscópio (inseto alongado, 2 pares de patas)
Perigoso exatamente por ser invisível nas primeiras semanas. Mudas não inspecionadas são o principal vetor de entrada. Lupa de 60x é equipamento básico para cultivo medicinal sério.
Penetra nas inflorescências e se alimenta de dentro para fora, o dano é interno antes de ser visível. Fezes escuras na superfície dos buds são o primeiro sinal. As feridas abertas funcionam como porta de entrada para a botrytis, tornando o dano biológico duplo: mecânico e fúngico.
- Interior dos buds, fezes escuras na superfície
- Brácteas com pontos marrons inexplicados na floração
- Buds com início de podridão sem fonte de umidade
Mais prevalente em cultivos próximos a áreas agrícolas externas. A mariposa oviposita nas inflorescências, o controle precisa começar antes da postura, não depois do dano.
Insetos de 2–5 mm cobertos por camada branca cerosa, similar a algodão. Se escondem em nós do caule, axilas e fendas. Sugam seiva e excretam substância açucarada que atrai formigas e favorece o surgimento de fumagina, fungo preto na folhagem abaixo da colônia.
- Nós do caule e axilas dos ramos, locais de refúgio
- Face inferior das folhas mais velhas
- Fumagina escura nas folhas abaixo da colônia
A camada cerosa protege o inseto de muitos produtos. Presença de formigas no cultivo é indicador indireto frequente, formigas protegem colônias de cochonilha para coletar a secreção açucarada.
Dano característico chamado queima-da-cigarrinha: bordas foliares amareladas que necrosam e curvam-se para baixo, começando pelas folhas medianas. Além de sugar seiva, o inseto injeta toxinas durante a alimentação, o dano metabólico interfere na síntese de canabinoides. Vetor confirmado de fitoplasmas.
- Face inferior das folhas, insetos saltam lateralmente ao serem perturbados
- Bordas foliares com necrose amarelada progressiva
- Armadilha adesiva amarela, adultos alados
Alta pressão em regiões com culturas vizinhas de milho e soja, Brasil e Paraguai. As telas antiinseto nas aberturas de ventilação são a melhor barreira contra essa praga.
Adultos fazem furos circulares irregulares nas folhas. Em plântulas e clones recém-transplantados, o ataque pode ser fatal. A larva, o perigo invisível, ataca raízes abaixo do substrato, reduzindo absorção de nutrientes e abrindo porta de entrada para Fusarium e Rhizoctonia antes de qualquer sintoma aéreo aparecer.
- Folhas com furos circulares irregulares, adultos
- Raízes escurecidas ou com lesões, larvas no substrato
- Maior pressão em cultivos próximos a lavouras de milho e soja
Alta prevalência no Brasil e Paraguai por pressão das culturas vizinhas. A larva radicular passa despercebida enquanto compromete o sistema radicular, o sintoma aéreo aparece tarde.
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Gabriel Binotti de Oliveira · Eng. Agrônomo CREA PR-234094/D
Identificação
Doenças fúngicas, vasculares e virais
Pó branco circular na face superior das folhas, começando em pontos isolados e se espalhando para o restante da planta. Diferente de outros fungos, não precisa de água para germinar, prospera em ar estagnado com umidade entre 50 e 80%.
- Face superior das folhas, manchas brancas circulares
- Folhas internas do dossel denso, primeiras afetadas
- Brotos em fase de floração avançada
Dossel denso sem circulação de ar interna. A prevenção por ventilação é mais eficaz do que qualquer tratamento.
Mofo cinza-marrom com pó de esporos em tecido que amolece e escurece. Ataca preferencialmente tecido morto ou ferido, folhas que não foram removidas, cortes de poda, brácteas em floração úmida. Na floração, destrói o bud de dentro para fora.
- Cortes de poda mal cicatrizados
- Folhas mortas não removidas na base
- Interior de buds densos na floração (início: ponto marrom no centro)
Umidade acima de 70% + temperatura abaixo de 20°C. Risco máximo na transição entre dias quentes e noites frias com alta umidade.
Planta que murcha apesar de substrato úmido. Amarelamento progressivo de baixo para cima. Raízes marrons, moles e com cheiro ruim ao inspecionar (raízes saudáveis são brancas e firmes). Pythium em substrato encharcado; Fusarium sobrevive no solo por anos.
- Raízes, inspecionar removendo a planta do vaso
- Base do caule, escurecimento no nível do substrato
- Folhas, murcha diurna sem recuperação noturna
Substrato encharcado + temperatura de substrato acima de 24°C é a combinação perfeita para Pythium. Não existe tratamento eficaz depois de estabelecido, prevenção é tudo.
Manchas amarelas ou marrons irregulares nas folhas, com centro mais claro e borda escura bem definida. Começa nas folhas inferiores e sobe. Mais comum em cultivos externos ou com baixa circulação de ar e respingos de água nas folhas.
- Folhas inferiores, primeiras afetadas
- Folhas com acúmulo de respingos de rega
- Plantas em espaços com baixa ventilação
Rega pela parte aérea, folhas molhadas por longo período, umidade alta. Regar no substrato, nunca sobre as folhas.
Murcha assimétrica: um lado da planta colapsa enquanto o outro permanece aparentemente saudável. Corte transversal do caule revela escurecimento vascular (tecido interno marrom-avermelhado). Diferente da podridão radicular por Pythium, a murcha por Fusarium não tem odor e a raiz pode parecer normal inicialmente.
- Corte do caule, escurecimento no sistema vascular interno
- Folhas de um lado, amarelamento e murcha sem recuperação
- Base do caule, lesão necrótica a nível do solo
Não existe cura: uma vez instalado no sistema vascular, o Fusarium é incurável. O fungo sobrevive no solo por anos como clamidósporo. Prevenção com Trichoderma harzianum inoculado no substrato antes do plantio é a única estratégia eficaz.
Síndrome conhecida como "dudding": nanismo, entrenós curtos, folhas enrugadas e quebradiças, flores menores com muito menos resina do que o esperado para a genética. A planta não morre, mas produz 50% ou menos do potencial normal. Muitas plantas são portadoras assintomáticas, transmitem sem mostrar sintomas.
- Crescimento reduzido sem causa ambiental aparente
- Flores com produção de resina muito abaixo do esperado
- Plantas clonadas de matrizes com histórico de baixa produção
Transmissão mecânica por cortes: uma tesoura usada em planta infectada contamina todas as seguintes. Não existe cura. O diagnóstico definitivo exige teste molecular (RT-PCR), sintomas visuais podem ser confundidos com deficiências ou estresse ambiental.
Plântulas que tombam subitamente com o caule estrangulado e escurecido na linha do substrato. O tecido do colo fica mole, marrom e úmido, a planta cai como se fosse cortada na base. Ocorre principalmente nas primeiras 2 semanas após a germinação, quando o caule ainda é fino e vulnerável.
- Colo da plântula, estrangulamento escuro na linha do substrato
- Berçário com substrato constantemente úmido
- Bandejas com má drenagem e alta densidade de plantas
Substrato encharcado é o principal gatilho. Sementes germinadas em substrato muito retentivo de água ou bandejas sem drenagem adequada são vulneráveis. Usar perlita (20-30%) no mix de berçário reduz drasticamente a incidência.
Manchas angulares amarelo-esverdeadas na face superior da folha, delimitadas pelas nervuras. Na face inferior, diretamente abaixo das manchas, forma-se uma massa cinza-púrpura de esporos. Diferente do oídio, que aparece como pó branco na face superior: o míldio tem manchas delimitadas acima e massa esporulante embaixo.
- Face inferior das folhas, massa cinza-púrpura abaixo das manchas
- Face superior, manchas angulares limitadas pelas nervuras
- Plantas em ambientes fechados com umidade alta e baixa ventilação
Umidade alta combinada com temperaturas amenas (15-22°C) favorece a esporulação. Exclusivo da cannabis, causado por espécie específica, diferente do míldio de outras culturas. Comum em cultivos de outono/inverno ou ambientes sem controle climático adequado.
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Gabriel Binotti de Oliveira · Eng. Agrônomo CREA PR-234094/D
Manejo Integrado de Pragas
Protocolo de resposta em 6 etapas
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Gabriel Binotti de Oliveira · Eng. Agrônomo CREA PR-234094/D
Primeira linha de defesa
Prevenção ambiental e de boas práticas
Identificou a praga. E agora?
Conhecimento técnico é o primeiro passo. O segundo é ter um agrônomo ao lado para acompanhar o manejo, ajustar o ambiente e proteger o ciclo inteiro.